
Só depois que você tem um filho é que levanta cedo no sábado de chuva e frio com toda a disposição do mundo para ir ao teatro. A professora de música da escola do João tem um grupo infantil chamado Pererê. E a apresentação ia ser no sábado. Tinha até pensado na hipótese de não ir porque estava um tempo muito ruim, mas no dia anterior João falou o tempo inteiro para mim: “Mamãe, me acorde à s 9h para eu ir no teatro da MaÃraâ€.
Acha que eu teria mesmo coragem de não ir?
E valeu muito a pena. O show, chamado Cantando e Contando Histórias, te leva para um mundo do folclore brasileiro, encanta e diverte.
Como foi bom João ter feito eu levantar cedo no sábado. Principalmente para ter certeza de que tem muita gente boa fazendo muita coisa bacana para nossas crianças pelo Brasil. E mais: que esses momentos ao lado do nosso filho fazem um bem enorme para eles — muito mais para a gente!
Pois é. No meio de tanto malabarismo para fazer tudo certo com João, eis que ouço uma voz dizendo: “Você não agiu certoâ€. Você, que também é mãe ou pai, sabe bem o que isso significa para nós, não?
E tudo porque João há uma semana resolveu fazer tour pela casa durante a noite. Para a minha cama, aliás. Eu sei. Sei bem que é mais uma daquelas fases, que, de fato, passam! Mas até lá…
A questão é que fiquei pensando qual seria a maneira mais politicamente correta para resolver a situação. Conversei, acalmei. Não resolveu. Falei mais brava. Não resolveu.
Dias passados, e a história continuava. Até que numa dessas madrugadas conversei bem séria com ele, e o fiz voltar para o quarto sozinho. Fiquei mal. Não consegui dormir até que vi que ele tinha voltado a cochilar. Pensei que talvez tivesse acertado na solução, mas essa maneira de resolver não passou pela minha garganta.Acho que me esqueci de que ele só tem 4 anos.
Daniel, que é um padrasto incrÃvel para o João, no dia seguinte resolveu falar. Eu sempre digo que ele é meio advogado do João. E fica intermediando nossas conversas para ajudá-lo. Mas normalmente tem razão.
Estávamos eu e ele numa pizzaria quando me disse que eu tinha que ajudar o João, mas de uma forma que ele sentisse meu apoio. Sem intimidar. De um jeito que ele percebesse que poderia confiar em mim, para inclusive dizer que estava com muito medo. E que essa confiança ele levaria para o resto da vida. A falta de apoio, também.
É. A pizza não desceu. Acabou com minha noite. E me fez pensar. Pensar que João tem só 4 anos, embora às vezes pareça muito mais. Lembrar que confiança é fundamental em todas as fases da nossa vida. E quando a gente busca um colo, é gostoso achar. A partir desse dia tudo melhorou.
Lição!
Já faz duas semanas que voltei ao trabalho. Tá aà um dos motivos pelos quais me ausentei de contar as novidades por aqui. Entrar na rotina novamente leva um tempo. Primeiro porque João estava acostumado a dormir mais tarde. Depois, porque fazia manha para ir à escola. Aà tudo demora um pouco mais.
Agora, tudo está nos eixos novamente. E parei para pensar o que essas férias deixaram para nós. Até então, sempre era um momento de diversão em famÃlia. Todos grudados na verdade. Mas esses dias de folga, em especial, deixaram muito mais.
Aquele bebê, que eu acompanhava cada passinho na praia, agora corre, voa atrás da pipa na areia. É curioso, incansável! Perguntador e com umas tiradas que renderam muitos momentos de gargalhada.
Companheiro. Essa é a palavra. João agora é muito companheiro. Até no dia em que tivemos que fazer um tour por Ilhabela para achar a melhor pousada para nós. Dava seus palpites, criticava… Como essas férias foram diferentes!
A relação de troca agora é enorme. Aumentou muito. E ele também cuida, até se meu cabelo ficou espalhado pelo vento, ele fala. Ri primeiro, mas depois fala.
E cresceu. Sim! Eles crescem nas férias. FÃsica e intelectualmente. É gostoso perceber tudo isso. Dá saudade das fases que passaram, mas cada momento é uma novidade. E não há nada mais incrÃvel do que ver como eles se desenvolvem. Rápido. Muito rápido.
Enchemos-nos de carinho. Isso foi o melhor que essas férias deixaram.
E é extremamente sociável. Depois que o João nasceu percebi que nem sempre a minha vontade de ficar quieta seria respeitada. Não. Não estou reclamando. Acho isso incrÃvel. IncrÃvel como conheci tanta gente bacana por conta da maneira como João leva sua vida.
Chega, conversa, pergunta o nome, o que faz. E logo vejo que tenho também que me aproximar daquele novo conhecido que João encontrou.
Nas nossas férias isso foi marcante. Acontece também com você?
Você chega na praia com sua toalha, sua cadeira, seu guarda-sol, os brinquedos do seu filho… e em pouco tempo percebe que juntar tudo com um outro guarda-sol fará toda a diferença naquele dia.
Em Ilhabela, caminhando na praia, João viu duas crianças sentadas brincando na areia, e não demorou a sentar junto delas para se divertir também. Fiquei olhando como ele seria recebido pelo grupo. Um sorriso e aquela pergunta gostosa “posso brincar com você?†fez um dia de praia mais divertido. Até uma disputa de brinquedo não demora a chegar. Criança é criança.
E assim conheci Laura, mãe das crianças, Pedro e João. Laura é uma mãe jovem, moderna. E num breve bate-papo percebo que mãe é tudo igual. Somos cheias de dúvidas, medos e inseguranças. Ela também é separada e tem as mesmas preocupações que eu. Principalmente em ver os filhos felizes.
Outro dia, foi Matilde. Uma chilena fofa de 3 anos que conhecemos num café na Ilha. Ela, falando espanhol e João, português. Foi engraçadÃssimo ver como conseguiam de alguma maneira se entender, brincar, rir. Ainda bem que estava com a câmera para registrar esse momento para sempre.
Matilde provavelmente, diferente de Pedro e João, que curiosamente moram perto de nossa casa, será uma amiga na lembrança do João. Assim como tantos outros colegas que João fez em outras viagens de férias. E eu só tenho a ganhar, com belas histórias de vida de todas essas pessoas, publicitários, jardineiros, advogados, babás, que cruzaram nossos caminhos.
A única coisa boa do dia que deixei Camburi por causa do frio que resolveu aparecer foi encontrar uma luz incrÃvel para fotografar meu pequeno nas praias de Ilhabela. Fugimos para a ilha, porque soube que aqui o sol ainda brilhava. E, de fato, o tempo está bem melhor do que lá.
Lojinhas, feirinhas, muita gente na rua. Fugindo da chuva, esse foi mais um lugar novo para João conhecer. Além, de, claro, ter adorado ver “um carro dentro da bolsa (a balsa segundo sua atrapalhação)â€, como contou para seu pai hoje.
E hoje acordamos com um lindo sol. Mais um dia de praia e férias pra comemorar. Minha mãe, que está viajando pelo frio do sul do Brasil, tem me ligado, e não estranha esse meu lado cigano de sair correndo em busca do sol. Eu sempre curti fazer isso sozinha. Com o apoio e animação do João, então, é mais gostoso ainda.
Até a próxima!
Férias. Ah, férias. Um pouco de tempo pra curtir o filho, o marido, a gente mesmo. Tempo pra colocar a vida em ordem, pensar em se estressar menos com coisas que não valem a pena e se renovar para começar tudo de novo…
Só que férias, para o João, além de ficar bem grudadinho comigo, poder dormir até mais tarde, brincar o tempo todo, são sinônimo de sol, praia, verão…
Sempre em julho procuro fugir para o nordeste à procura do sol. Aqueles dias em que esqueço rapidamente a alergia que durante o ano insiste em ficar com o João. Acordar, abrir a janela e ver um sol lindo, respirar um ar mais fácil e ter a garantia de que haverá um dia quentinho pra passear na fofa areia da praia.
Mas, no ano passado, quando quis comprar uns dias de sol, fui para Porto Seguro e choveu muito. Lá é um lugarzinho especial para mim e para o João – onde ele foi pela a primeira vez quando tinha 1 aninho, de fralda e cuia –, mas com chuva não dá.
Então o jeito este ano, nas férias de inverno, foi conferir dia a dia a previsão do tempo em todo o canto do paÃs e ver onde o sol ia brilhar mais.
SaÃmos com o carro carregado, roupa de frio, de calor, touca, bonés, inalador, edredom, três bicicletas, brinquedos (verdadeiros itinerantes, com uma bagagem que dá preguiça de olhar)… rumo a Camburi, no litoral norte de São Paulo. Aqui, anda fazendo uns dias assim, como este da foto, que tem rendido um sorriso estampado na cara do João com toda a saúde do mundo.
Agora me diz: a gente sempre dá um jeitinho para vê-los assim, não? Mesmo com aquelas coisas que são impossÃveis a gente comprar (o sol, por exemplo), mas, quando dá certo, e o resultado é uma felicidade como agradecimento, temos a gostosa sensação de missão cumprida e de termos feito mais um momento inesquecÃvel para eles, e para nós, com certeza.
E a gente vai ficando por aqui, enquanto houver sol…
Um beijo a todos e até a volta.
Culpa de mãe à parte, confesso que me atrasei muito para tomar a iniciativa de levar o João para ouvir contações por aÃ. E há tantas, em livrarias, nos SESCs…
No fundo acho que sempre acabava pensando que, como ele já tem muito isso na escola, o fim de semana seria mais divertido se fosse reservado para parques, bicicletas…
Bobagem! Um pouco de tudo é sempre a medida. E este último fim de semana foi um marco cultural na vida do João, e minha, claro!
Fomos a uma unidade do SESC, aqui em São Paulo, que nunca tinha ido. Chegando lá os olhos do João brilharam. Ao ar livre estavam dois moços, um ao violão e outro em pé. O nome da contação era “Histórias Contráriasâ€. Lá, em imensos tapetes coloridos, pais, avós, crianças e aqueles que ao passar se rendiam à s histórias. Um sol lindo e muita risada, muita alegria. Uma felicidade imensa que pensei que somente com outras coisas fariam o João estar.
E as histórias eram fofas. Uma delas era a versão para o assustador “Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de caretaâ€. Oras, vamos combinar, dizia um dos contadores, quem vai dormir com uma música dessas? E a “Foi, foi, foi, só para você, que mudei a letra para te fazer adormecer†soou incrivelmente encantadora.
Foi uma tarde gostosa, divertida. Daquelas que a gente fica com a sensação de, com tão pouco, ter feito nosso filho feliz. Mais houve muito mais diversão, que contarei nos próximos posts. E você? Já levou seu filho para escutar histórias por a�
Nosso fim de semana foi totalmente junino. Festa na escola, na casa da minha irmã… João ficou felicÃssimo de levar os primos para a festa da sua escola. Saia todo sorrateiro mostrando a sala de aula, os pátios, a copa, a cozinha. Era o anfitrião. E à noite a comemoração continuava. Agora com pescarias sob o comando das crianças, muita pipoca, lanches, suco e alegria. E as fotos?
Então. Eu ouvia só um tal de “João, olha a foto aquiâ€; “Meninos, olhem para a câmera aliâ€, e assim por diante. Fotos posadinhas nesse dia? Nem pensar. E vamos combinar. Quando você era pequeno ou pequena não era muito chato parar a brincadeira e olhar “o passarinhoâ€?
Simples assim. E as melhores imagens, inclusive, são aquelas que registramos o momento da brincadeira, do sorriso escancarado e incondicional.
Entre os gostos das crianças que a gente às vezes não consegue entender, está o Fusca, o adorado e mais lindo carro aos olhos do João.
Agora, esse automóvel já é o Fusca. Mas, quando ele tinha 1 ano e meio, mais ou menos, Fusca e Kombi chamavam-se “Duduâ€. Por quê? Não sei. Pergunto hoje para o João por que ele os apelidou assim, e nem ele sabe explicar por quê.
Dudus à parte, sem explicação para todo o sempre, Fusca é o que de fato faz os olhos do João brilharem.
Perto de casa tem uma locadora bem bacana. Há um espaço com cadeirinhas e mesa só exclusivo para crianças, com os DVDs ao alcance delas. João olha, mexe, mas sempre vai direto naqueles clássicos do Herbie.
Semana passada assistimos a “Herbie – Um Fusca em Monte Carloâ€. João amou, viu umas quatro vezes, comigo, com o avô, com o pai… Claro que o filme é feito com o padrão que a época permitia. É divertido. E diferente, saindo das animações que sempre assistimos juntos.
Mas o mais engraçado foi ver que João está começando a entender o que é gostar. Pode ser que ele nem saiba o que é “paixãoâ€, mas achou o máximo quando os carros do filme se apaixonavam.
E nem as minhas crÃticas com o aspecto antigo e mal-feito do filme foram capazes de fazer com que o João não cogitasse alugarmos o longa novamente.
Dias frios, crianças doentes. E João com suas tosses, inalações e afins. E eu, sempre achando que, na próxima gripe, crise ou virose vou me sair muito melhor, sem me desesperar tanto. Bobagem! Estou mal na fita comigo mesma.
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Mas o curioso foi ter ido à clÃnica no sábado para uma consulta com o pneumo do João. Estava lotada de crianças doentes. De super-heróis, fadas e princesas doentes, aliás. Sentada com o João na espera, a cada momento chegava uma criança mais fantasiada que a outra, Batman, Branca de Neve… Todas com as bochechas rosa de febre, os olhos caidinhos, mas sem perder o espÃrito da brincadeira e da fantasia. É a força das crianças, talvez o que faça toda a diferença para a cura delas. Parecia, de verdade, que os doentes de fato eram os pais, com suas conversas melancólicas pelas noites não dormidas.
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João ficou bravo por não estar com sua fantasia, claro! Mas parecia um malabarista se pendurando nos corrimões, deixando a quilômetros de distância a forte gripe que estava.
